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Título: Morfofonologia do verbo em changana
Autores: Langa, David Alberto Seth
Ngunga, Armindo (supervisor)
Palavras Chave: changana
constituintes do verbal
morfologia
fonemas
Data: 14-Mar-2013
Resumo: O presente trabalho visa à luz do quadro teórico da Morfologia e Fonologia Lexical (Kirpasky 1982) identificar e analisar os constituintes do verbal em Changana. Este quadro assenta no pressuposto segundo o qual existe uma inter-relação entre a morfologia (morfemas) e a fonologia (fonemas) de tal forma que para cada morfologia, tem se uma fonologia desde que o ambiente fonológico tenha sido criado. De facto, a concatenação dos morfemas na estrutura do verbo desencadeiam processos fonológico responsáveis pela alomorfomia que, nalgumas vezes, resolve a interpretação segundo a qual alguns morfemas são lexicalmente bloqueados na formação de palavras. O principal problema da investigação é de, a partir da estrutura do verbo nas línguas bantu (Meeussen 1967), analisar a distribuição dos constituintes (derivacionais e flexionais) do Changana. As respostas prévias ao problema acima são as seguintes: (i) uma que assume que os constituintes do verbo em Changana são realizados através de diferentes morfemas, quer derivacionais quer flexionais e (ii) os morfemas flexionais, sobretudo os que expressam o tempo, o aspecto e o modo, podem ser expressos que por segmentos quer através dos suprassegmentos (i.e. o tom). Os dados confirmam as hipóteses aventadas contudo, mostram que, a estrutura do verbo do Changana tem doze posições de poiso dos constituintes do verbo (mais duas posições comparativamente à estrutura de Meeussen (1967) e mais uma posição em relação à estrutura de Mutaka e Tamanji (2000). As novas posições que se devem ter em conta na análise do verbo em Changana são as do pré-formativo e pós-formativo. O trabalho explora também os principais conceitos operatórios nas áreas de morfologia e fonologia. Assim, descreve-se o sistema segmental da língua, bem como a sistematização dos processos fonológicos envolvendo vogais e consoantes. Da análise feita, as vogais podem desencadear, sempre que o contexto fonológico estiver criado, o processo de assimilação através da semivocalização, coalescência ou fusão e elisão. Por sua vez as ii consoantes desencadeiam os processos de coarticulação da nasal homorgâmica, a elisão e a velarização. Os aspectos prosódicos como a estrutura da sílaba e a descrição do funcionamento do tom na língua foram tidos em conta. No tocante à sílaba, viu-se que a estrutura básica da mesma nesta língua é CV embora ocorram outras estruturas como V (Ex: “augment” nos nomes e as marcas de aspecto na posição pré-inicial na estrutura do verbo) ou C (Ex: nasais silábicas em nomes das classes 1 e 3). Em relação ao tom, a análise de dados mostrou que o tom lexical era menos produtivo que o gramatical. Nesta língua verifica-se a expansão do tom alto no sentido da esquerda para direita envolvendo as moras dos constituintes que estão sob o domínio do mesmo sintagma fonológico. O estudo mostra também que a marcação do tom lexical deixa de ser relevante sobretudo nos verbos porque numa frase, todos os verbos têm a posição inicial preenchida por um prefixo de concordância com o sujeito com tom alto e, sistematicamente, o mesmo se expande para os constituintes seguintes até à penúltima mora do sintagma verbal. A expansão do tom alto apenas não ocorre a nível pós-lexical se a palavra seguinte tiver tom de nível alto contrastivo. Descritos os sons da língua, analisou-se a morfologia do nome, sobretudo o sistema de classes e prefixos nominais e os seus prefixos de concordância com o sujeito, qualificador, possessivo e numeral. Desta descrição, verificou-se que os prefixos nominais exibem basicamente vogais com tom baixo e os de concordância os prefixos têm todos os tons altos. A análise do verbo foi dividida em duas grandes partes, a saber, radical não derivado e derivado. A derivação é feita através de extensões verbais. Estas podem ser: causativa, aplicativa, recíproca, passiva, frequentativa, contactiva, reversiva, estativa ou pseudo-passiva, posicional. No Changana corrente, a extensão posicional e contactiva são as menos produtivas de todas. O trabalho testou o modelo CARP proposto por Hyman (2002). Este iii modelo determina a combinação e ordem de extensões verbais nas línguas bantu através de uma validação intra-morfológica em oposição a assunção segundo a qual a combinação e ordem de extensões verbais é validada na combinação entre a morfologia e a sintaxe (Baker 1985). A testagem do CARP permitiu concluir que este aplica-se parcialmente no Changana visto que não foi possível encontrar no corpus a combinação na mesma estrutura da extensão passiva e recíproca, bem como concluiu que a ordem da combinação causativa e aplicativa é rígida nesta língua, ao contrário do que sugere Hyman e Mchombo (1992). Na estrutura do verbo, a extensão verbal ocorre invariavelmente na posição pós-radical por isso, qualquer outro morfema que não se distribua dessa maneira foi retirado da lista das extensões verbais em Changana. A morfologia flexional centrou-se na análise dos morfemas de tempo, aspecto e modo (TAM) e do relativo. A descrição destas categorias permitiu concluir que o Changana não distingue o passado recente do remoto nem o futuro próximo do distante. Ela exibe o passado simples ou absoluto, o passado relativo e o passado anterior e suas variações aspectuais imperfectivas ao passo que o futuro é apenas o simples com as suas variações aspectuais imperfectivas. Os dados mostraram que é difícil distinguir as marcas do tempo e no aspecto no presente por isso o trabalho assume a posição de Bybee (1994) segundo a qual o tempo presente é categoria mais aspectual do que temporal. A análise dos dados é acompanhada da apresentação da estrutura do verbo e de propostas de designação de cada categoria gramatical na estrutura do verbo. A análise de dados mostrou que das várias posições que podem ser ocupadas pelos constituintes do verbo, a posição pós-inicial é muito imprecisa pois, não poucas vezes podem ocorrer na mesma mais de quatro constituintes. Na sistematização da distribuição dos morfemas na estrutura do verbo, o trabalho defende que se deve acrescentar a posição pré-formativo, antes da do formativo e pós-formativo e que se deve reservar a posição pós-inicial apenas os morfemas iv de passado anterior, passado relativo, passado imediato, negação, modo potencial e aspecto contínuo. Com o acréscimo desta posição, a estrutura do verbo em Changana tem 12 posições a saber: pré-inicial, inicial, pós-inicial, pré-formativo, formativo e pós-formativo; pré-radical, radical e pós-radical e pré-final, final e pós-final. A última categoria analisada trata-se do modo. Reconhecendo a complexidade do estudo destas categorias, o estudo centrou-se em três modos, a saber: o modo subjuntivo, o modo imperativo e o modo potencial sem contar com o modo indicativo que foi todo o resto que fez na análise da morfologia flexional.
URI: http://hdl.handle.net/10857/4030
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